sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Células-tronco e a utilização do sangue e tecido umbilical no combate a doenças


Ludmila Contant

O uso das células-tronco em tratamentos de saúde tornou-se tema de congressos de medicina pelo mundo, onde a prática da utilização do sangue e tecido umbilical e líquido amniótico, ao passarem por estudos em diversos pacientes com doenças neurológicas, do fígado, coração, pele, articulações e músculos, vê comprovando sua eficácia.
Em recente Congresso Internacional realizado no estado do Colorado nos EUA, foram apresentadas pesquisas que comprovam a eficiência do uso dos tecidos perinatais, não apenas para tratamento de doenças do sangue.
“Já caiu por terra o argumento de que as células-tronco do sangue do cordão umbilical só teriam utilidades em casos hematológicos, ao menos essa é a realidade científica fora do Brasil”, afirma Karolyn Sassi Ogliari, médica, pós-doutorada pelo Instituto de células-tronco e Biologia Regenerativa da Universidade de Harvard e diretora medíco-científica do Hemocord em Porto Alegre.

Pesquisas mundiais
A maior investigação da área vem sendo realizada pela oncologista pediatra da Duke University (EUA), Dra. Joanne Kurtzberg, que utiliza o sangue do cordão umbilical do próprio paciente, coletado ao nascimento, para combater sequelas neurológicas, causadas pela falta de oxigenação no cérebro, conhecida por paralisia cerebral. 
O estudo que avalia o desenvolvimento de crianças entre 2 e 6 anos de idade, vem apontando melhoras significativas na função motora e aumento das conexões entre os neurônios, o que restabelece funções perdidas, regenerando a massa craniana. 
O próximo passo para a oncologista pediatra, com base nos resultados já obtidos, é a liberação de uso do sangue umbilical autólogo no tratamento da paralisia cerebral, que hoje possui escassas tentativas de cura. 

Resultados na China
Na China, o professor e pesquisador, Kang-Hsi, médico chefe do setor de Hematologia e Oncologia do Hospital da Criança da Universidade Médica do país, apontou resultados positivos em crianças com leucemia transplantadas. Comprovando redução de 50% do tempo de pega do transplante no grupo em foi administrado o sangue do cordão com as células mesenquimais, em relação aos pacientes que receberam apenas sangue umbilical.

A coleta
Existem duas fontes de células-tronco no cordão umbilical: o sangue do cordão umbilical, que é rico em células-tronco hematopoiéticas, e o tecido do cordão umbilical, que é rico em células-tronco mesenquimais. A gestante tem a opção de coletar os dois materiais ou somente o sangue de cordão.
Tanto a coleta do sangue quanto a coleta do tecido do cordão são simples, rápidas, sem dor, sem necessidade de procedimentos cirúrgicos e sem riscos à mãe ou ao recém-nascido. No momento do parto, após o bebê ter sido entregue ao pediatra, um coletador treinado e capacitado pelo Hemocord realiza a coleta do sangue do cordão umbilical e da placenta, o qual fica armazenado em uma bolsa estéril específica para sangue de cordão, contendo anticoagulante. Após a coleta do sangue, o próprio cordão umbilical é limpo e coletado em um frasco estéril.

Em que momento usar?
O sangue de cordão tem aprovação para uso clínico, e pode ser utilizado em todas as indicações de transplante de medula óssea, no tratamento de aproximadamente 80 doenças malignas e não-malignas, que incluem leucemias, linfomas, mieloma, anemias, imunodeficiências, doenças metabólicas e tumores sólidos comuns na infância (como retinoblastoma, neuroblastoma e tumor de Wilms). O paciente recebe o sangue do cordão em um procedimento simples, via intravenosa.

Armazenamento
O sangue de cordão armazenado no Hemocord fica prontamente disponível para uso - imediato ou futuro - pelo próprio indivíduo do qual o material foi coletado (material compatível com a própria pessoa), ou para uso no transplante de um irmão ou outro familiar compatível. Há 25% de chance de compatibilidade entre irmãos diretos.
No Laboratório de Criopreservação do Hemocord, o material coletado passa por etapas de processamento, crioproteção (material recebe uma solução que protege as células durante o congelamento) e congelamento automatizado e gradual. Após, o material é imediatamente armazenado em um tanque de nitrogênio líquido, em temperaturas extremamente baixas (aproximadamente -180°C).

Quem faz?
A chegada de um filho é um momento de muita felicidade e incerteza para as famílias, e o Hemocord busca fazer parte desse momento dando aos pais uma maior tranquilidade, pois sabem que terão um recurso a mais e que poderá ser útil no tratamento de determinadas doenças.
O Hemocord é o primeiro Banco de Células-Tronco de Cordão Umbilical com Laboratório de Criopreservação no sul do país e único no Rio Grande do Sul, no qual desempenha um importante papel: oferecer a possibilidade de armazenar células-tronco coletadas no momento do nascimento - de forma totalmente indolor e sem riscos - para uso privado/familiar.
Preferencialmente, o primeiro contato com o Hemocord deve ser realizado algum tempo antes do nascimento do bebê, pois possibilita a contratação dos serviços com mais tranquilidade, com maior tempo hábil para a organização da equipe de enfermagem responsável pela coleta, e da equipe técnica responsável pelo congelamento e armazenamento do material. Após a fase da contratação, uma equipe de enfermeiros do Hemocord realiza contatos telefônicos periódicos com a gestante, para acompanhar a gestação até o momento do parto. No momento que a gestante se desloca até a maternidade, a equipe do Hemocord fica de prontidão para o acompanhamento da gestante e realização do procedimento de coleta.

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